Ao cortar o pé com cacos de vidro, M.R.D.L.G está sofrendo atrofia no local do ferimento. Médico que atendeu a criança diz que adotou todos os procedimentos necessários. Mãe do garoto o acusa de negligência
LUIZ VALÉRIO
Luiz.valerio.silva@gmail.com
O pé esquerdo de M.R.D.L.G está ficando torto. Laudo da ultra-sonografia diz que tendão foi cortado no acidente e que ainda existe um caco de vidro no local
Uma via-crúcis de três meses. Assim tem sido a vida da dona de casa Rosely Pereira Luz, que tem buscado solução para o problema de saúde do seu filho M.R.D.L.G, de apenas cinco anos, ocasionado, segundo ela, pela falta de atenção do médico boliviano Franciso P. Klinsk Pacheco.
Há pouco mais de três meses, a criança quebrou um copo e sofreu um corte no pé, à altura do tornozelo, com os cacos de vidro. Rosely Pereira levou o menino ao hospital da cidade em busca de atendimento. Ele foi atendido pelo médico Francisco Pacheco, que apenas limpou o ferimento e suturou. Depois, liberou a criança.
Dias depois, M.R.D.L.G começou a sentir dores e febre e sua mãe percebeu que o pé do menino estava ficando torto. Cerca de dois meses depois do primeiro atendimento, ela voltou a procurar o médico para que ele visse o pé da criança e Francisco Pacheco disse que não tinha nada de errado, que o que deveria ter sido feito ele fez.
Com a situação piorando e o pé da criança cada vez mais torto, Rosely procurou atendimento em Boa Vista. Depois de várias viagens e muita despesa com passagens, um exame de raio X e uma ultra-sonografia detectaram que o menino teve o tendão do tornozelo cortado pelo caco de vidro, que continua alojado em seu pé.
O laudo da ultra-sonografia assinado pelo medido Julio Kong, que atendeu o menino no Hospital da Criança Santo Antônio, em Boa Vista, atesta que “ao exame do tornozelo esquerdo, na sua face medial observa-se a presença de espessamento difuso leve do tecido subcutâneo, espessamento difuso do tendão tíbia posterior no seu trajeto no tornozelo e pequena imagem linear ecogênica, não condutora de sombra acústica posterior ao nível da capsula articular, sendo de corpo estranho”. Ou seja, o laudo mostra que ainda há vidro no tornozelo de M.R.D.L.G.
A mãe do menino já mostra sinais de desespero com o fato do pé do seu filho está ficando torno. Acriança sente dores e tem dificuldade para andar. Ela disse que o médico que a atendeu em Boa Vista diagnosticou que será preciso fazer uma cirurgia para retirar o pedaço de vidro e recuperar o tendão. De posse do laudo medido e dos exames de ultra-sonografia e raio X, Rosely Pereira voltou a procurar o médico Francisco Pacheco para pedir sua ajuda, no sentido de ajudar com o tratamento do seu filho.
O médico teria se recusado a ajudar, alegando que o que tinha que fazer já foi feito. Ela então recorreu ao Ministério Público do Estado (MPE) e fez uma denúncia contra o médico. O órgão requereu o prontuário de atendimento da criança, que não havia sido feito quando o menino deu entrada no hospital com o pé cortado.
Rosely contou à reportagem que recebeu uma ligação do hospital, chamando-lhe para indicar qual foi o pé que havia sido suturado por Francisco Pacheco para que um prontuário fosse feito e encaminhado ao Ministério Público. Desde então, ela diz ter gastado o dinheiro que não possui para tentar recuperar o pé do seu filho.
‘Esse pessoal quer é dinheiro’, diz médico
Procurado pela reportagem do Jornal Roraisul, no domingo, 13 de novembro, o médico Francisco Pacheco disse que prestou o atendimento que era possível para um caso como aquele. Alegou que não podia fazer mais nada, pois não dispunha dos meios para ir além da limpeza do ferimento e a posterior sutura. “Eu adotei todos os procedimentos necessários”, afirmou.
Ele disse considerar estranho que somente depois de quase dois meses Rosely Pereira o tenha procurado para reclamar que o pé do seu filho está ficando torto em decorrência do que ela diz ser negligência. “Depois de dois meses, eu já não tinha mais nada com isso”, afirmou à reportagem. “Como pode uma mãe passar sem olhar o pé do seu filho e depois procurar o médico para dizer que ele não o atendeu direito e que o pé do menino está ficando torto?”, questionou.
Francisco Pacheco disse que sempre faz o melhor que pode nessas situações. “Eu jamais deixaria uma criança sem o atendimento correto”, afirmou, salientando que apenas lavou e suturou o pé de M.R.D.L.G porque o ferimento estava inflamado. “O que esse pessoal quer é dinheiro”, disse, salientando que Rosely Pereira poderia ter procurado outro médico para avaliar o pé do seu filho, o que de fato ela fez. (Luiz Valério)




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